FALARDEAU, Guy (1997: 169/170) refere algumas pistas e conselhos para apoiar as dificuldades quotidianas dos pais com os seus filhos hiperactivos. Não devendo ser vista como unica “receita”, deve ser encarada como uma forma de despertar e responsabiliza os pais pela condução positiva no seu percurso educacional e futuro desempenho profissional.

  1. Aceita a criança tal como ela é, pois está muito bem informado sobre a hiperactividade.
  2. É inflexível no respeito pelas regras, mas sempre calmo e positivo.
  3. É capaz de modificar as suas estratégias de ensino para adaptá-las às capacidades da criança.
  4. Aperfeiçoa o material didáctico de forma a adaptar-se às aptidões da criança.
  5. Inventa trabalhos que necessitem o máximo de movimentos por parte da criança, e evita os que exijam que a criança fique muito tempo sentada na sua carteira.
  6. Alterna as tarefas mais ou menos atraentes em harmonia com os gostos da criança
  7. Não atribui demasiada importância ao trabalho de casa.
  8. Sabe diminuir a pressão quando o nível de frustração da criança atinge um limiar crítico.
  9. Sabe diminuir a pressão quando o seu próprio nível de frustração atinge um limiar crítico.
  10. Fala claramente, utiliza frases curtas, directas e fáceis de compreender.
  11. Olha a criança nos olhos quando comunica com ela.
  12. Dirige uma classe bem organizada e sempre previsível.
  13. Controla a classe sem ser demasiado dominador.
  14. Reage de forma imediata e constante a cada comportamento.
  15. Tem uma forma discreta de informar a criança que não trabalha como deveria ou que acabou de agir de forma inadequada.
  16. Está próximo da criança da criança sem ser indiscreto.
  17. Ignora as pequenas faltas; sabe escolher as lutas que valem a pena.
  18. Apoia a criança na organização do seu trabalho sempre que é necessário e apropriado e não receia comprometer-se.
  19. Interessa-se pela vida da criança: as suas alegrias, os seus receios, os seus desejos (mesmo após um duro dia de trabalho).
  20. Está muito aberto para se encontrar com os outros intervenientes sempre que necessário, a fim de trabalhar no mesmo sentido.
  21. É dotado de um grande sentido de humor.


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Uma resposta to “O pai ideal”

  1. Cândida Santos Says:

    Perfil do bom pai/mãe

    Respeita os filhos
    Aos filhos é devido o reconhecimento de uma per sonalidade própria. Respeitar-nos-ão mais se mos trarmos saber aceitar também o seu modo de ser no que não nos agrada.

    Respeita-se a si próprio
    Um pai que se sacrifica a si próprio e não escuta os próprios desejos habitua os filhos a não ter limi tes e torna-os egocêntricos.

    Dá ternura
    As expressões de afecto (sorrisos, abraços, mimos) são importantes para dar aos filhos segurança so bre os seu próprio lugar na família e no mundo.

    Estabelece regras
    As crianças, os adolescentes, têm necessidade de limites, de regras, que representam uma base de par tida para dar sentido ao mundo que nos rodeia.

    Constrói o diálogo
    É bom comunicar com os filhos, dando atenção à própria capacidade de escutar e de enfrentar os conflitos.

    Valoriza os filhos
    Reforça a auto-estima dos filhos e dá-lhes força interior para enfrentar a vida.

    Não é autoritário
    De outro modo não se favorece a relação e provoca-se apenas o ressentimento.

    Não é demasiado permissivo
    É preciso dar aos filhos liberdade de expressão, mas dentro de limites e de regras claras.

    Não usa de violência física ou verbal
    Cada gesto violento, ainda que apenas verbalmente, apaga a possibilidade de uma verdadeira relação afectiva e cria personalidades violentas ou tímidas e incapazes de se exprimir.

    Conduz os filhos ao crescimento
    Protecção, acompanhamento e alegria em pequeninos; autonomia cada vez maior e crescente responsabilização, à medida que forem crescendo.

    Que os pais passem mais tempo com os filhos
    Os pais devem “perder” mais tempo com os filhos. A frase é muito popular e de compreensão imediata. A ideia pode ser uma resposta, em tempo real, ao vazio das nossas famílias, à dificuldade dos pais em conversar com os seus filhos, à frágil e enfraquecida socieda de mais preocupada com a marca das sapatilhas dos seus filhos do que com a sua consciência.

    Milão e a região Lombarda, mais que outras regiões, vêem-se todos os dias surpreendidas com inúmeras notícias terríveis protagonizadas por adolescentes. Notícias inexplicáveis, ou talvez explicáveis, mas apenas se o vazio no coração de todos nós for maior do que toda a história dos nossos antepassados e do que as profundas raízes que a solidariedade fundou no nosso país.

    Já perdemos demasiado tempo a fazer perguntas, a procurar soluções pseudo-intelectuais mas pouco incisivas e nada concre tas. Desde que o mundo é mundo, a educação tem postulados, poucos mas irrevogáveis, sem os quais não se poderá chamar educação. O sociologismo imperante e as ideologias políticas, ao longo de trinta anos, procuraram, em nome de uma liberdade híbrida e perniciosa, acabar precisamente com os poucos postu lados que tornavam possível uma visão ética e menos egoísta da nossa sociedade.

    As crianças, encantadoras à vista mas ainda por domar lá por dentro, ficam muito mais contentes e sorridentes quando satis fazemos os seus caprichos do que quando tentamos convencê-las de algum “não”, dos primeiros deveres, de um mínimo de boa educação, relacionado com autodomínio e com o respeito pelos outros. Deve ter acontecido algo de muito grave no fim deste último século, para dar origem a notícias tão indescritíveis e devastadoras.

    Acompanhar os filhos é cada vez mais difícil. Pressuporia pelo menos mais clareza de objectivos da parte dos pais. Por sua vez, a geração dos quarenta anos de hoje, antes de propor objectivos aos outros, deveria redescobrir e recuperar tudo o que deitou fora em nome daquela liberdade incoerente e narcisista de que falávamos acima. Têm razão quando se fala em estar mais tempo com os filhos. Mas devemos discutir a qualidade do tempo que passamos com os nossos filhos. O que é ainda mais difícil.

    A história avança em virtude deste fio elástico, mais ou menos resistente, que liga o mundo dos filhos e o dos pais. Todos nós transportamos, como diz a fábula de Fedro, dois alforges que necessariamente levamos aos ombros. Segundo Fedro, no alforge da frente levamos os defeitos dos outros, no alforge de trás, os nossos. Ficaria contente se ainda fosse assim. Pelo menos teríamos qualquer coisa sobre que discutir e disputar. Receio, porém, que ambos os alforges estejam vazios. Por um motivo simples e triste: porque exige menos esforço. Gostaria de encerrar este ponto detendo-me precisamente na palavra “esforço”, desaparecida do nosso vocabulário. Desapareceu o esforço de crescer, o esforço de educar, o esforço de trabalhar, o esforço de amar, o esforço de estudar… o esforço de viver.

    Explique-lhe o valor do esforço

    O esforço ajuda a realizar as próprias potencialidades
    Quando o nosso trabalho começa a dar frutos, sentimo-nos estimulados a redobrar esforços, porque vislumbramos novas possibilidades. O êxito confere autoconfiança e a autoconfiança facilita outros êxitos posteriores.

    O esforço ajuda a enfrentar a vida
    A vida é dura. Cada dia coloca-nos diante de uma escolha: recriminarmo-nos pelas dificuldades ou enfrentá-las. A intenção de se empenhar a fundo e uma atitude positiva são os melhores instrumentos de que o seu filho poderá dispor.

    O esforço faz-nos sentir bem
    Não há maior satisfação do que aquela que se experimenta quando se levou ao fim um projecto com a consciência de ter dado o melhor de si.

    O esforço tempera o carácter
    Nada nos qualifica melhor que a vontade de investir as nossas energias. Trabalhar com empenho e honestidade faz ressaltar quanto de bom há em nós.

    Com o esforço ganhamos o respeito dos outros
    Quando fazemos o nosso melhor com constância, suscitamos a admiração e conquistamos a confiança dos que estão à nossa volta. Além disso, a nossa boa reputação é consolidada.

    O esforço reforça a nossa auto-estima
    Trabalhando duro sem nos pouparmos, adquirimos maior estima por nós mesmos. Quer os nossos esforços sejam coroados de sucesso, quer não o sejam, cada tentativa levada a cabo tem em nós um efeito positivo.

    O esforço reforça o sentido do que procuramos alcançar
    O esforço a que nos submetemos para alcançar as nossas metas é uma das experiências mais ricas da vida. Até alcançarmos um objectivo, encontraremos motivos válidos para nos levantarmos da cama cada manhã.

    O esforço leva-nos a melhores resultados
    Quando somos produtivos, a vida torna-se mais interessante e agradável. O sentir-se compensado é o resultado de um compromisso constante e ao abrigo de recriminações.

    O esforço torna-se um hábito
    Os bons hábitos fazem parte dos principais ingredientes do sucesso. Os mais importantes são a honestidade, a boa educação e a constância no compromisso.

    O esforço é salutar
    Quando trabalhamos arduamente, utilizamos o nosso corpo e a nossa mente de modo positivo, o que é extremamente benéfico. Quem explora a fundo as próprias energias ganha saúde e longevidade.

    Fotografia da família correcta

    Horários. Respeite os horários das refeições (pelo menos o do jantar!), esperando que todos cheguem para começar a comer.
    Refeições. Expulse a televisão, a leitura do jornal e o telefone durante as refeições (n.b. enterre durante uma hora o telemóvel).
    Discussões. Encete discussões sobre problemas sociais, permitindo a cada um exprimir a sua opinião (n.b. proibido falar dos problemas de trabalho).
    Hóspedes. A família abre a casa aos amigos e também os filhos devem receber os seus (n.b. uma vez por semana convide alguém que se sente solitário).
    Passatempos. Sugira sobretudo idas até à natureza, piqueniques, desportos ao ar livre (n.b. sugira alguns serões a fazer relaxamento e exercícios de imaginação activa)
    Decisões. Não tenha medo de envolver os filhos nas decisões importantes de acordo com a faixa etária (n.b. não só nas decisões em relação à motorizada….).
    Trabalho. Implique os filhos desde pequenos nas tarefas domésticas (n.b. fazer o jantar uma vez por semana).
    Privacidade. Não seja invasivo, respeite a intimidade do seu filho (n.b. não significa fechar o quarto à chave!).
    Diálogo. Converse ao jantar sobre como correu o dia (n.b. evitando julgamentos, sentenças e pe nas). Procure um humor sadio.
    Ofereça-lhe um caderninho de sonhos ou, se for maior, um diário…

    Gerou-se um debate interessante depois da sentença de um juiz dando razão a um pai que, muito preocupado com o comportamento do filho menor, correu, sem demasiados escrúpulos, a desfolhar o seu diário. Sou partidário do respeito pela privacidade e do direito de cada um de nós (seja pequeno ou grande) a proteger espaços de intimidade e de reserva, inteiramente seus. Ponho-me também no lugar do pai em causa. Não quero ser hipócrita e devo dizer-vos que, 99 em 100 vezes, também eu correria o risco de comportamentos semelhantes.

    Há momentos em que nós, os adultos, temos o dever de escolher entre uma regra de boa educação e o risco de perder um filho ou um jovem que, arrastado numa fase delicadíssima da sua existência, parece naufragar, incapaz até de lançar um SOS. Há alguns anos atrás inventei, também eu, um diário escolar. Dei-lhe o título de Tremenda. Tinha dado conta que muitos rapazes se estavam a isolar, cortando drasticamente todas as vias de comunicação com os adultos, sobretudo com os pais. Permanecia, como tábua de salvação, a vontade de escrever e de de sabafar com aquele pequeno utensílio.

    No meu tempo, usava-o para assinalar os testes e os trabalhos de casa. Hoje, feliz ou infelizmente, parece permanecer o único amigo, o confidente, o outro canal, depois da televisão (?), a quem se confiam os problemas. Várias pesquisas vieram a demonstrar que 33% dos jovens entre os 13 e os 18 anos falam apenas com os seus Tremenda e os seus blocos de apontamentos. Há algum tempo salvei dois jovens de dezasseis anos de um provável suicídio porque as suas namoradas tinham intuído, através de umas mensagens rabiscadas no diário, que alguma coisa não andava bem… Fico contente por ter sido um pai a “cair nesta ratoeira”. No passado eram as mães a “mexer-se” em casos como este, a ter curiosidade, a meter o nariz…

    Bem-vindos sejam os pais! As figuras parentais têm que ser resgatadas, reabilitadas, reinventadas, de preferência, sem incomodar os Tribunais. Será possível que hoje já não se encontrem espaços, momentos, diálogos em que se possam exprimir, com sinceridade e transparência, as dúvidas e as perplexidades dos pais diante da conduta incompreensível do filho adolescente?

    Mazzi, A. (2006), Como estragar um filho em dez jogadas, Lisboa, Paulus Editora

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