A Hiperactividade apesar de não ser muito divulgada não é recente. Durante todo o século XX tem-se feito investigações e estudos para uma melhor compreensão desta doença.

A primeira referência encontrada sobre o Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção (PHDA) é na segunda metade do século XIX, mais precisamente em 1860. “De facto, em 1860 as crianças com os sintomas característicos da hiperactividade eram então referenciados como portadores da “deficiência da consciência moral”. LOPES (1998, p.12).

Mas é no século XX que Still descreve pela primeira vez crianças portadoras de “defeitos mórbidos no controlo moral”. Em 1902 “Still especulou que devido a ausência de maus tratos, os problemas destas crianças deveriam ser de origem biológica. A hipótese ganhou mais força quando Still notou que alguns membros das famílias das crianças eram portadoras de problemas psiquiátricos como depressão, alcoolismo, problemas de conduta, etc.” BASTOS (1999, p.4) cita Hallowell et al.

As observações e deduções nos trabalhos de Still, influenciaram, William James o considerado Pai da psicologia Norte-Americana. Segundo este “estes distúrbios de comportamento seriam devido a problemas na função inibitória do cérebro em relação a estímulos ou algum problema no córtex cerebral onde o intelecto acabava se dissociando da vontade ou conduta social”. Segundo id (p.5) citando James.

Baseado na epidemia de encefalite de 1917-1918, Eugéne e Louis H. Cohem publicaram em 1934 um artigo no jornal “The New England Journal of Medicine” onde afirmaram que a base para a hiperactividade era biológica. “Os autores deste artigo foram os primeiros a mostrar uma relação entre uma doença e os sintomas da ADD (falta de atenção, impulsividade e hiperactividade) ”. BASTOS (1999, p.5)

Em 1937, uma descoberta acidental feita por Charles Bradley mostrou que alguns estimulantes e anfetaminas ajudavam as crianças com Transtorno de Hiperactividade com Défice de Atenção (THDA)a concentrarem-se melhor. Esta descoberta foi uma novidade porque em adultos, tais medicamentos aumentam a actividade no sistema nervoso central.

Contudo, foi só em 1947 que “Strauss e os seus colaboradores apresentam o que foi considerado a primeira descrição clínica deste quadro em que está afectada principalmente a área do comportamento, destacando o nervosismo e o nível de actividade como sintomas de lesão cerebral”. CANCA VASQUEZ (1997. p.160)

Nos anos seguintes, os estudos continuam, alterando-se o conceito de lesão cerebral. Assim para LOPES (1998, p.12) “nos anos 50, a noção de lesão cerebral deu lugar à de perturbação comportamental hipercinética (Laufer e Denhoff, 1957) que seria causada por lesão ou disfunção do diencéfalo. Este conceito anuncia a noção de disfunção cerebral mínima…”

Nas décadas de sessenta absolve-se definitivamente os pais da culpa pelo problema na comunidade científica. Isto deve-se, ao facto de as observações clínicas tornarem-se rigorosas atribuindo-se assim, as causas biológicas e genéticas deste síndrome.

Já nos anos setenta Kornetsky “Propôs a hipótese de que a ADD poderia estar ligada a problemas com certos neurotransmissores como a Dopamina e a Norepinefrina”. BASTOS (1999, p.5)

Na década de 1980 Mattes, Gualtieri, Chelune devido a semelhanças de sintomas apresentados por crianças com PHDA e pessoas que devido a algum acidente, sofreram danos nos lobos frontais, especularam sobre o envolvimento destes na SDAH.

“Em 1984, Lou et al (apud. Hallowell et al) acharam evidências de uma deficiência de circulação sanguínea no lobos frontais e no hemisfério esquerdo de pessoas portadoras com ADD. Todos estes achados foram confirmados em 1990 por Zametkin (apud Hallowell et al) graças ao desenvolvimento de novas tecnologias com PET (Tomografia por emissão de Positróns), que mostravam o funcionamento do cérebro in vivo”, segundo id (p.6)

Em 1994, a American Psychology Association decide dividir a THDA em 3 possíveis subtipos:

1-o tipo desatento (a desatenção constitui o sintoma principal);

2-o tipo hiperactivo-impulsivo (com predominância da hiperactividade e da impulsividade)

3-o misto.

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