A Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção (PHDA) afecta parte das crianças em idade escolar. Pode-se dizer que vinte por cento destas crianças são afectadas, incidindo em maior número nos rapazes (quatro a nove vezes mais). Existe uma grande dificuldade em conseguir distinguir entre comportamento normal de uma criança e o daquela que tem SDAH.

Assim, segundo FALARDEAU (1999, p.21) “a hiperactividade define-se por uma diminuição ou ausência de controlo no indivíduo que dela sofre. Insisto na palavra controlo pois este encontra-se na própria base do problema. O hiperactivo é incapaz de controlar a sua atenção, a sua impulsividade e a necessidade de movimento. Não se trata de uma ausência de vontade, mas de uma ausência de controlo.”

Para MELO (1994, p.11) citando a ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE (OMS), a hiperactividade é uma “desordem em que as características principais são o défice da atenção e distractibilidade. Na primeira infância, os sintomas mais evidentes são a desinibição e uma actividade motora extrema e mal organizada e regulada, factos que podem ser substituídos na adolescência por uma baixa actividade motora. A impulsividade, alteração marcada de humor, e a agressividade, podem também ser sintomas comuns, tal como atrasos de desenvolvimento em áreas específicas e dificuldades de relação social. Se a hiperquinésia é um sintoma de outras desordens, essa deverá ser a situação a codificar.”

De acordo com LOPES (1998, p.19) citando Barkley “A PHDA é um distúrbio do desenvolvimento caracterizado por graus desenvolvimentais inapropriados de desatenção, sobreactividade e impulsividade. Estes surgem frequentemente no início da infância; são de natureza relativamente crónica; e não são devidos a lesão neurológica, défices sensoriais, problemas da linguagem ou motores; atraso mental ou distúrbio emocional grave. Estas dificuldades estão tipicamente associadas com défices da auto-regulação do comportamento e da manutenção de um padrão consistente de realização ao longo do tempo.”

Por seu lado, CHAVES (1999, p.9) citando Routh, sugere uma outra definição onde “refere-se ao insucesso frequente da criança em agir de maneira adequada em relação à idade em situações que impõem actividade motora restritiva, manutenção da atenção, resistência a influências distractivas, e inibição de respostas impulsivas”.

Em todas as citações podemos observar que existem alguns pontos comuns tais como a impulsividade, a hiperactividade e ainda o défice de atenção. São estes os comportamentos considerados nucleares para a PHDA. É fundamental que os sintomas perdurem por mais de seis meses e tenham início antes dos sete anos.

O Défice de Atenção, é provavelmente o mais importante. Caracteriza-se na dificuldade sentida pela criança em controlar a sua atenção, isto é, a criança é incapaz de se manter atenta por longos períodos de tempo. Por isso, raramente termina as tarefas que começa e nas quais tem dificuldade em se concentrar, principalmente quando a tarefa é longa e especialmente, quando é “monótona”. Tem também muitas dificuldades em prestar atenção aos outros. Distrai-se com facilidade e tem baixo rendimento escolar.

O segundo comportamento é a impulsividade que consiste na “dificuldade em regular a sua conduta, uma vez que passam à acção sem reflexão prévia o que se traduz por uma não aceitação das regras sociais, exige a satisfação imediata dos seus desejos, tendência a praticar actividades perigosas, baixa tolerância à frustração”. OCAÑA SANCHEZ (1999, p.89)

Por fim, temos a hiperactividade que é o primeiro sintoma a ser detectado.

“Refere-se aos níveis excessivos de actividade motora ou oral, características da criança com SDAH, o que faz dela uma criança muito inquieta, nervosa, exibindo em geral movimentos grosseiros e desnecessários, irrelevantes para a tarefa e, por vezes, despropositados e faladora”. Barkley citado por LOPES (1998, p.18)

Concluindo, as crianças com PHDA têm graves dificuldades a nível da psicomotricidade motora e na coordenação manual. Pode-se ainda observar movimentos involuntários das mãos ou encontrá-las a falar sozinhas.

Contudo, é de salientar que “na prática, os comportamentos devem ser valorizados sempre que causem problemas, particularmente os relacionados com o sucesso escolar e o ajuste social e emocional”. BOA VIDA (s/d, p. 4)

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