Ao longo dos anos tem-se atribuído a causa da Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção (PHDA) a diferentes tipos de teorias. Depois de realizados alguns estudos, parte destas teorias foram sendo postas de parte, dando lugar a outras. Porém, até mesmo as hipóteses mais convincentes e as mais bem apoiadas e documentadas, continuam a não dar cem por cento de certezas. Assim, pode-se dizer que a causa da PHDA continua desconhecida.

A hipótese mais provável refere-se à hereditariedade. “Os estudos estabeleceram, sem margem para dúvida, que em mais de 95 por cento dos casos, a hiperactividade é hereditária. A transmissão é feita em genes e, naturalmente, os pais não têm qualquer responsabilidade. Desta forma, os descendentes de uma pessoa hiperactiva estão mais expostos que os outros a este problema. Os estudos estatísticos mostraram que 25 por cento dos pais e 17 por cento das mães das crianças hiperactivas também são hiperactivos. No que respeita a fraternidade, os riscos são de 40 por cento para os irmãos e 10 por cento para as irmãs. Também entre os tios, as tias, e os primos”. FALARDEAU (1999, p.36)

Geneticamente, existe ainda uma outra causa, à qual é atribuída cerca de noventa por cento de hipóteses que é a que se refere a gémeos idênticos.

Existe uma outra teoria que atribui a causa do PHDA a mecanismos biológicos que estão relacionados com algumas partes anatómicas do cérebro. “Pelo nosso actual conhecimento de ADD e de funcionamento cerebral, o ADD aparentemente é causado por uma deficiência no sistema cerebral, em especial nos sistemas relacionados a um neurotransmissor chamado Dopamina que entre outras coisas está também envolvida no Mal de Parkinson. A deficiência neste sistema aparentemente faz com que o tálamo não consiga desempenhar sua tarefa de filtragem de estímulos muito bem, levando à falta de atenção, a fácil distracção do ADD. Este problema também parece causar problemas no lobo frontal onde a actividade inibitória dos impulsos motores parece também ser afectado, levando segundo alguns autores, à hiperactividade.” BASTOS (1999, p.17).

Outras hipóteses para a PHDA relacionam-se com problemas durante a gravidez e ainda traumatismos neonatais.

Para alguns autores é possível que PHDA esteja relacionado com causas mutifactoriais onde a genética e o ambiente interagem para a génese do problema. “As crianças prematuras e aquelas que têm pequeno tamanho para a idade gestacional, parecem ainda predispostas a ter ADD. Outros factores de risco são exposição ao uso excessivo de álcool (Abel, 1984), exposição ao chumbo após o nascimento ( Bellinger & Needleman, 1983) e infecções cerebrais.” BATSHAU (1990, p.271)

Quando se fala de hiperactividade existe uma tentação de se atribuir as culpas aos factores sociais e familiares (ambiente familiar). Durante algum tempo chegou-se mesmo a atribuir-lhes, total ou parcialmente, as culpas. Hoje em dia, esta teoria foi posta de parte. Para FALARDEAU (1999, p.40) “A atitude dos pais nada tem a ver com a génese da hiperactividade. Mas parece cada vez mais evidente que os problemas familiares (desentendimentos, separações, violência, etc.) e económicos (pobreza, desemprego, etc.) aumentam o risco de que problemas comportamentais (agressividade) e emocionais se acrescentem à hiperactividade. Além disso, é claro que um meio familiar afectuoso e tolerante, no qual os pais se interessam pela criança, diminuirá a probabilidade do aparecimento dessas complicações.”

Surgiram também, novas hipóteses, actualmente ultrapassadas, as quais atribuíram a causa do PHDA ao açúcar refinado e aditivos alimentares. No primeiro caso, já se sabe que o açúcar é um estimulante, tal como o café ou o chá. Apesar de poder haver um aumento de estimulação este dá-se em todas as crianças, e, a actividade motora normal é muito diferente da actividade motora causada pela pHDA. Quanto aos aditivos alimentares, conclui-se que estes não alteram o comportamento das crianças.

Para terminar, é importante referir que “A ADD é um problema mais acentuado nas classes médias e que tem uma preocupação e uma expectativa académica quanto as suas crianças, do que das famílias que não tem expectativas (Johnson & Prinz, 1976; Lambert, Sandoval & Sassone, 1978). Esta desordem não é vista nos países em desenvolvimento.” BATSHAU (1990, p.271)

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