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A Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção (PHDA) é caracterizada por desatenção, hiperactividade e impulsividade. A criança com PHDA distrai-se facilmente, tem dificuldade em concentrar-se por períodos de tempo longos, é irrequieta e impulsiva, e pode ser muito mais activa do que é comum na sua idade. Estes comportamentos contribuem para problemas significativos não só nas relações com os outros como também na aprendizagem.

É por isso essencial que pais, professores e todos aqueles que lidam com estas crianças, sejam capazes de compreender esta perturbação e de adoptar estratégias de apoio que favoreçam a sua evolução.

Nesse sentido, a Janela Redonda  promoveu um workshop acerca desta temática. Este workshop teve lugar no dia 13 de Fevereiro, das 14h às 19h.

No Diário Notícias de 10 de Janeiro de 2010 surgiu uma notícia sobre cada vez mais crianças tomarem cada vez mais medicamentos para se acalmarem. Clique no link para visualizar.

Foi em 1845 que Heinrich Hoffman, médico que se dedicava à escrita de livros de medicina e psiquiatria, se decidiu a escrever também para crianças, dado que na época não encontrava histórias infantis para ler ao seu filho de três anos. O resultado foi um livro de poemas ilustrado, sobre crianças e as suas características. A história do Filipe Imparável (traduzido do inglês Fidgety Philip) era uma descrição precisa de um rapazinho com Perturbação de Défice de Atenção e Hiperactividade (PDAH). Foi o primeiro registo detalhado de que há conhecimento.

Contudo, foi só em 1902 que Sir George F. Still publicou uma série de palestras para o Royal College of Physicians, em Inglaterra, nas quais descrevia um grupo de crianças impulsivas, com problemas comportamentais significativos, causados por uma disfunção de origem genética e que não era explicada por factores ambientais (por exemplo, os modelos familiares, as concepções educativas, entre outros). Desde então, a investigação não tem parado e têm sido escritas centenas de artigos científicos sobre a natureza, causas, curso, défices e tratamentos desta perturbação.

Actualmente, considera-se que a PDAH é uma perturbação neurológica causada por uma deficiência num sistema de neurotransmissão que envolve a norepinefrina e os seus precursores, dopa e dopamina, em circuitos cerebrais específicos. Dependendo das áreas que estes circuitos envolvem, o indivíduo pode ser hiperactivo, desatento ou impulsivo. A hiperactividade está relacionada com o não ser capaz de estar quieto, ou o que vulgarmente entendemos por “ter bichinho carpinteiro”. A distracção e desatenção podem ser motivada por sons do meio ambiente (para a maior parte das crianças, irrelevantes), por vários estímulos visuais distrativos ou pelos seus próprios pensamentos. A impulsividade pode envolver o falar antes de pensar e o interromper ou solicitar constantemente, situações que, no fundo, implicam sempre o agir antes de pensar, antes de avaliar as consequências dos seus actos.

Mas existe um problema que tem sido amplamente debatido relativamente à PDAH e que, muitas vezes, ainda divide a opinião dos técnicos que lidam com esta problemática: é o facto de haver várias razões para este perfil de comportamento, principalmente a ansiedade e a depressão e, por isso, o diagnóstico não é fácil. Não há testes formais e o que tem mais peso é a história clínica da criança, isto é, a PDAH está presente desde o nascimento e não desde a entrada para a escola, ou desde o 5º ano… Além disso, a PDAH manifesta-se nos vários contextos da criança e não apenas quando está com o pai e a mãe, ou só na escola, ou só enquanto faz os tpc’s… É sempre necessário ter a capacidade de perceber a criança como um todo, os seus contextos de vida e perceber que é uma situação pervasiva, que invade toda a vida da criança.

O que é um facto é que esta perturbação torna a aprendizagem da criança mais difícil porque este nível intenso de actividade, de desatenção e de impulsividade a impede de efectuar a recepção e o processamento da informação, do conteúdo a ser trabalhado nos vários contextos em que a criança se movimenta. Estas crianças não aprendem da mesma maneira que as demais e necessitam, por isso, de estratégias de intervenção que lhes permitam compreender a sua própria forma de funcionar e de realizar as aprendizagens, com as capacidades que têm.

Só no seio de uma equipa multidisciplinar, com a articulação de vários técnicos (médicos, professores, professores de educação especial), com a Família e a própria criança, é que se pode minimizar os efeitos desta perturbação.

Dra. Susana Rocha
Departamento: Educação Especial e Reabilitação

A Educação Colectiva Não Funciona A nossa política educacional baseia-se em duas enormes falácias. A primeira é a que considera o intelecto como uma caixa habitada por ideias autónomas, cujos números podem aumentar-se pelo simples processo de abrir a tampa da caixa e introduzir-lhes novas ideias. A segunda falácia, é que, todas as mentes são semelhantes e podem lucrar como o mesmo sistema de ensino. Todos os sistemas oficiais de educação são sistemas para bombear os mesmos conhecimentos pelos mesmos métodos, para dentro de mentes radicalmente diferentes. Sendo as mentes organismos vivos e não caixotes do lixo, irremediavelmente dissimilares e não uniformes, os sistemas oficiais de educação não são como seria de esperar, particularmente afortunados. Que as esperanças dos educadores ardorosos da época democrática cheguem alguma vez a ser cumpridas parece extremamente duvidoso. Os grandes homens não podem fazer-se por encomenda por qualquer método de ensino por mais perfeito que seja. O máximo que podemos esperar fazer é ensinar todo o indivíduo a atingir todas as suas potencialidades e tornar-se completamente ele próprio. Mas o eu de um indivíduo será o eu de Shakespeare, o eu de outro será o eu de Flecknoe. Os sistemas de educação prevalecentes não só falham em tornar Flecknoes em Shakespeares (nenhum método de educação fará isso alguma vez); falham em fazer dos Flecknoes o melhor. A Flecknoe não é dada sequer uma oportunidade para se tornar ele próprio. Congenitamente um sub-homem, ele está condenado pela educação a passar a sua vida como um sub-sub-homem.

Aldous Huxley, in “Sobre a Democracia e Outros Estudos”

http://www.citador.pt/pensar.php?op=10&refid=200904141300&author=122&theme=68

Perturbação de hiperactividade com défice de atenção

Os pediatras falam de uma “tolerância excessiva” ao mau ambiente escolar, desafiando os professores a mudar sua capacidade de estimular comportamentos na escola, para evitar problemas maiores e estimular os alunos.

O défice de atenção é hoje a principal causa de insucesso escolar, sendo uma perturbação que atinge cerca de 10 % da população escolar. Entre os principais motivos estão anomalias cerebrais congénitas, síndrome feto-alcoólico, tabagismo materno e toxicodependência materna. Esta é uma das principais conclusões do seminário intitulado “Défice de Atenção na Clínica de Desenvolvimento”, numa iniciativa realizada ontem, em Braga, no auditório do Hospital de S. Marcos, pelo Centro de Desenvolvimento Infantil de Braga – em parceria com o Serviço de Pediatria daquele hospital bracarense. Os participantes constataram que cerca de cinco por cento das crianças em idade escolar sofrem de Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção (PHDA), na sua larga maioria (80%), jovens do sexo masculino. Por outro lado, 30 a 50 % destes casos de perturbações infantis continuam a manifestar-se na vida adulta. Perante esta realidade, Miguel Palha, pediatra do Desenvolvimento Infantil, deixou a ideia de que, presentemente, “há uma tolerância excessiva” ao ambiente escolar existente, pelo que desafiou os professores a terem uma nova capacidade de gerir comportamentos. Caso contrário, em sua opinião, toda a turma se torna hiperactiva. Aquele clínico vai mais longe ao considerar que “não existe contenção comportamental nas salas de aulas”, numa alusão a novas perturbações das crianças provocadas pela baixa de auto-estima, consumo de álcool ou substâncias ilícitas. Além destas, também os participantes se referiram às perturbações de ansiedade que contribuem para o défice de atenção, como a adaptação ao meio e o sono (insónias graves). Outra das questões levantadas neste encontro prendeu-se com a falta de apoio do Estado ao chamado “Centro de Desenvolvimento Infantil”, que já está em funcionamento em vários pontos do país, proporcionando cuidados específicos a crianças e adolescentes com Perturbações do Desenvolvimento. E questionaram o apoio considerado “insuficiente” (somente 50 %) na comparticipação de medicamentos no tratamento de crianças.

(jornalista Magalhães Costa)